segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Me identifiquei muito com esse testemunho...

Doutor StrangeLiturgy


Eu tenho amigos em lugares high-church.

Por Michael Spencer*

Originalmente publicado em InternetMonk, em 11 de abril de 2010. Traduzido com permissão.

A graça de eu estar em pé diante de uma igreja presbiteriana, vestindo toga, recitando o Credo Apostólico e dirigindo confissões congregacionais ainda não se perdeu pra mim. Se ao menos o pessoal da Igreja Batista de Hall Street pudesse me ver agora... eles não estariam rindo. (É Thomas Cranmer ali no canto com o sorrisinho irônico?)

Eu cresci com medo de qualquer igreja que não parecesse uma cruzada de avivamento. A primeira vez que eu fui a um culto católico romano, eu estava tão assustado e confuso que eu fugi. Quando todo mundo foi lá pra frente receber a comunhão, eu achei que era a hora do apelo e imaginei que era uma boa hora pra vazar. O stress de tentar entender os genuflexórios foi demais pra mim.

Mesmo igrejas metodistas me assustavam. Eu simplesmente não entendia o que estava acontecendo, mesmo nas liturgias mais simples, e acreditava que se envolver com elas era ruim para um cristão verdadeiro. “Bom mesmo” era o avivalismo evangelístico, e todos os esforços empregados em trazer gente pro altar, ou melhor ainda, pra cima dele, “dando testemunho” de como eles foram salvos. (Meu amigo anglicano ficava igualmente confuso com nossos cultos batistas, mas ele se virava bem melhor do que eu, que nunca tive coragem nem de visitar a igreja dele.)

Hoje, o avivalismo é que mete medo em mim, e a reconfortante previsibilidade da liturgia comum é o meu lar e da minha família. Quando ministros começam a improvisar e falar sobre “o que Deus pôs nos corações deles”, eu tenho vontade de fugir pela porta dos fundos. O Livro de Oração Comum de 1928, por mim, poderia se tornar a lei da terra.

Meus amigos costumam falar de igrejas litúrgicas como se fossem antros de satanismo escancarado. Nelas, cristãos falsos, mortos, presos pelas cadeias papistas da tradição, que apagam o Espírito a cada oportunidade, sentam-se congelados, adorando a Deus numa caixinha e considerando-se a si mesmos os únicos cristãos verdadeiros. Enquanto isso, na Assembléia do Avivamento Livre dos Pentecostais dos Últimos Dias do outro lado da rua, cristãos verdadeiros, livres no Espírito, ficam doidões e curtem o maior barato em Jesus, são salvos todo domingo e vêem Deus operando milagres todo culto. Cantalabashurias!

Eu já desisti de tentar me explicar pra essa gente. Como já fui um deles, um carismático ingênuo na minha época de escola, eu sei o quanto esse pessoal é convicto de que igrejas litúrgicas são erradas, e que tudo o que é verdadeiro precisa ser espontâneo. Mas acho que preciso registrar o que encontrei na tradição litúrgica, e por quê eu tirei os meus filhos do avivalismo e os ajudei a achar seu caminho em uma igreja que propositadamente evita as mesmas coisas a que eu mais dava valor quando era batista.

A causa de tudo

Um garoto não pode ser criterioso demais com o que lê. Eu não tenho idéia de onde tirei o (subvalorizado) livro de Robert Webber, The magic tapestry (“A tapeçaria mágica”, sem edição em Língua Portuguesa, N. do T.), mas de alguma forma ele se achou nas minhas mãos e eu o li. Várias vezes. E para o meu constante proveito. Foi esse livrinho que me custou uma carreira promissora como avivalista na Igreja Batista do Sul.

Robert Webber é um professor de História da Igreja e Teologia que dedicou sua carreira a encorajar os evangélicos a aprofundar sua apreciação das tradições mais amplas do culto cristão. Magic tapestry foi minha introdução a uma tradição cristã da qual eu jamais tinha ouvido antes. (O tamanho da minha ignorância desafiava qualquer medida. Eu não tinha idéias verdadeiras sobre qualquer forma de cristianismo além do meu próprio fundamentalismo e do que me falavam sobre os católicos. E a maior parte do que eu acreditava sobre a minha própria gente estava errada também.)

Lá estava o Ano Cristão, os grandes temas da redenção esboçados na liturgia. Aqui estava a Igreja militante e triunfante, e uma profundidade de apreciação da Bíblia como fonte do culto que eu não encontrava no meu cantinho de religião. Aqui estavam os Salmos, as Coletas, os Responsos e outras vozes de um culto simples, bíblico. Ali estavam os laços que uniram cristãos através da História e das denominações; a Igreja una, santa, católica e apostólica. Ali estavam as confissões, os credos, os santos, os mártires e, sim, a liturgia da cristandade. E aparentemente ela era toda minha, embora eu estivesse em uma igreja que acreditava que a maior parte dessa gente estava torrando no inferno.

Eu estava cativado. Webber previa que a tradição cristã mais ampla tem um apelo particular para a geração dos boomers que se desgostou do denominacionalismo. Eu cresci no coração do denominacionalismo, mas muitas das minhas amizades cristãs mais significativas eram com não-batistas do Sul. Eu sabia que esses irmãos eram cristãos, e sentia que eles eram parte de uma família cristã maior, à qual eu pertencia, mas eu não sabia disso. Webber se concentrou no tema do Christus Victor, o Cristo Vitorioso, e me mostrou como o culto da igreja rememora esse tema a cada vez que se reúne para cultuar. Ali estava a Ceia do Senhor como uma grande mesa de comunhão e uma prévia do banquete escatológico do fim dos tempos. Ali estava o Batismo para dentro do corpo de Cristo, não apenas para dentro da “nossa igreja”. Ali estava a aceitação de outros cristãos na grande tradição, em vez de uma exclusão de todos os outros por questões que eram evidentemente triviais ou mesmo falsas.

O efeito do livro de Webber em mim foi profundo – e ele continua até este dia, quando eu cada vez mais valorizo a grande tradição da fé que vem da Antiga Aliança para a Nova e pela Igreja de todos os tempos e lugares.

Mudando de pato pra ganso

Em 1982, nós nos mudamos para Louisville para que eu pudesse freqüentar o seminário. Eu já tinha trabalhado em tempo integral como Pastor Auxiliar para a Mocidade por três anos antes de voltar a estudar, e não estava interessado de verdade em novas vagas com os jovens. Eu queria pastorear, e me recusei a me inscrever para várias vagas na área de Louisville.

Mas um dia eu fui contatado pela Igreja Batista Highland, uma igreja perto do seminário no bairro do Triângulo Cherokee de Louisville. Highland não era o tipo de Igreja Batista do Sul com que você está acostumado. Pra começo de conversa, ela era extremamente high-church pros padrões batistas do Sul no Kentucky, pra dizer o mínimo. A maioria dos pastores da convenção, ao visitá-la, sentiriam que tinham entrado em uma igreja presbiteriana razoavelmente alta. O culto era litúrgico. A Bíblia era lida em três lições. Orações comunitárias, responsos e confissões eram comuns. A música, embora ocasionalmente ciente e apreciadora de suas raízes avivalistas, era bem polida, séria e clássica. O pastor, Paul Duke, era um jovem pregador cujos sermões estavam enchendo a igreja de profissionais e da comunidade acadêmica do seminário. Ele pregava em cima do lecionário e se inclinava mais para Fosdick e Craddock do que para Criswell ou Vines. O belo santuário de pedra era cheio das cores litúrgicas e do Ano Cristão.

Eu tentei não bancar o Zé Buscapé, mas a verdade é que eu estava bestificado. Isso era chique demais pra um garoto do sertão avivalista do oeste do Kentucky. Não, eles não vestiam togas ou usavam incenso, e sim, eles tinham apelos, mas essa era uma igreja intencionalmente plugada na tradição de que Webber estava falando. Nos meus dois anos como ministro dos jovens em Highland, eu fiz um trabalho razoável com os estudantes. Mas aprendi o bastante sobre a Igreja para me mudar pelo resto da vida. Nunca mais me senti confortável no culto típico de uma igreja batista do Sul.

O seminário reforçou muito do que eu estava aprendendo em Highland. Eu finalmente passei a entender a tradição da igreja, e enxergar o valor de deixar que essa grande tradição substitua o denominacionalimo. Ao mesmo tempo, eu vi algumas das possibilidades de integrar essa tradição com a missão da igreja; as muitas maneiras pelas quais a Bíblia e a tradição, em vez da modernidade e do pragmatismo, podiam moldar o evangelismo e o ministério.

Em História da Igreja, eu estudei essa tradição, e em Teologia eu vi o seu desenvolvimento e influência. Pela primeira vez, eu vi como minhas raízes batistas fundamentalistas se relacionavam com aquela tradição mais ampla. Eu compreendi que mesmo nas trilhas de serragem do avivalismo, havia ecos de um culto litúrgico e do Livro de Oração Comum. Eu notei que o Hinário Batista de 1956, examinado mais de perto, estava cheio de textos que não foram escritos mês passado em Nashville. Alguns eram traduções de textos latinos antiquíssimos. Letras católicas? No meu hinário!? E essa foi só uma das muitas formas em que meus olhos foram abertos à influência englobadora da tradição cristã.

O que eu amo

O que eu amo no culto litúrgico?

Eu amo o Ano Cristão. Quando eu era empregado nas igrejas, nós éramos mandados organizar o ano da igreja em torno das várias ofertas e ênfases denominacionais da Convenção Batista do Sul. Exceto pelo Natal ou Páscoa, não havia vestígio do Ano Cristão. Era o programa da igreja que unia o nosso culto e a nossa pregação. Eu me lembro de como isso nunca me pareceu estranho até que eu tive filhos. Então ficou óbvio que o Ano Cristão era um meio básico de ensinar a nossas crianças – e a toda a congregação – a história do Evangelho.

Hoje, o Ano Cristão é uma das minhas paixões. Advento, Quaresma, Semana Santa, Epifania, Domingo da Trindade, Cristo Rei, Ascensão, Anunciação, Batismo do Senhor – todos esses dias nos ensinam a história de Jesus e nos pregam o Evangelho. Por que quereríamos negligenciar essa grande herança? Por que não podem todos os cristãos ver o valor na celebração visual e artística do Evangelho que é tornada possível por meio do uso do Ano Cristão?

Um dos erros mais tristes do fundamentalismo é presumir que se uma coisa é “católica”, ela é católica romana, e portanto, é veneno. O Ano Cristão é propriedade de todos os cristãos, e eu só posso me alegrar que mais e mais evangélicos de todas as linhagens estejam redescobrindo o Advento e a Quaresma. Tenho esperança de que em breve vejamos o Ano Cristão retomado em todas as igrejas, e uma maior unidade de culto criada como resultado disso.

Eu amo o lecionário. Três passagens da Bíblia lidas em um culto! Nas minhas raízes avivalistas, você podia brandir a Bíblia no ar, bater com ela no púlpito, arrancar páginas dela para ilustrar um sermão e citar versículos isolados, mas não podia ler muito dela exceto na Escola Dominical. Três leituras no culto provavelmente seriam em um programa especial de Natal, ou talvez uma Escola Bíblica de Férias fora de controle.

É claro que isso é irônico. Nas igrejas litúrgicas, a Bíblia é lida o tempo todo e aparece em todas as partes do culto. Já se disse por aí que mesmo que o sermão seja repetidamente ruim, ainda se salva no culto dessas igrejas o Evangelho e uma boa dose de doutrina sólida, só com a liturgia e as orações.

Além disso, pregar no lecionário é uma maravilhosa alternativa ao método “o que quer que o irmão Zezinho sinta no coração esta semana”. Os lecionários unem os cristãos, visto que muitas e diferentes igrejas lêem as mesmas lições e ouvem sermões sobre as mesmas passagens do Evangelho ou das Epístolas. Comentários ao lecionário permitem que pregadores compartilhem suas idéias sobre como abordar o texto. E, é claro, o lecionário mantém a Bíblia no centro do sermão. Você não pode simplesmente correr atrás do tema do dia quando o lecionário está cumprindo o seu papel.

Eu estava em uma igreja anglicana na semana anterior ao referendo sobre a ordenação do Bispo Robinson. O texto da semana, é claro, não tinha nada a ver com o assunto do dia. O pároco, que sentiu que a congregação precisava ouvir sobre o assunto polêmico, fez o texto trabalhar para isso, mas ainda teve de voltar e falar sobre o Evangelho por mais da metade do sermão. Eu achei que isso foi um ótimo exemplo de como o lecionário resiste aos nossos próprios interesses, e nos mantém em cima das Escrituras, pregando Cristo.

Eu amo os credos, confissões e responsos do culto litúrgico. Nada parece incomodar mais o cristão não-litúrgico do que os pecados gêmeos de: 1. Falar coisas juntos; e 2. Dizer algo toda semana. Por que isso irrita tanto? Aparentemente, essas pessoas acham que não fazem isso.

Hein? O quê? Já ouviu falar de cantar? A maioria das igrejas protestantes passa boa parte do tempo do culto dizendo/cantando as mesmas coisas juntos com tanto entusiasmo quanto conseguem ter, mas se você tirar os instrumentos e a melodia, então estamos marchando para os penhascos do romanismo. Não é besta, isso?

E mais; a última vez que eu conferi na minha igreja natal, as orações espontâneas e ministrações da semana foram marcadamente parecidos com os da semana anterior. Pense nos bumerangues semanais tais como a oração de consagração das ofertas feita pelo Diácono João: “Senhor, abençoa estas ofertas, abençoa aqueles que as entregaram. Abençoa os doentes e sê com o nosso pastor. Se houver alguém aqui que não é salvo, permita que eles venham a Cristo antes que seja tarde demais para a eternidade. Em nome de Jesus, amém.” Parece familiar para alguém? Isso faz da Oração de Coleta da semana um oásis de inovação.

Uma das minhas horas favoritas no culto é a confissão congregacional. Ficar juntos de pé, dizendo em uníssono as palavras que concordam que nós somos todos falhos e precisamos da graça, eu me sinto em casa. O mesmo acontece com os Credos Niceno e Apostólico, a Oração do Senhor, as perguntas dos catecismos e nossa leitura responsiva do Salmos da semana. Juntos, como um só corpo, sem ninguém tentando aparecer, nós confessamos os nossos pecados, anunciamos a nossa fé e falamos com Deus nas palavras que ele mesmo nos deu.

Eu amo o fato de que o culto litúrgico não é cada pessoa fazendo o que ele ou ela quer fazer. Longe de mim criticar o comportamento individual de qualquer grupo de participantes do culto, mas eu gostaria de sugerir que tem alguma coisa muito errada com um culto onde as pessoas recebem permissão para tentar se superar umas às outras na participação e no entusiasmo. Bem, muitos dos meus amigos chamam isso de ser “livre” no culto, mas esse tipo de liberdade parece ter certas conseqüências previsíveis.

Exibicionistas e pessoas que querem atenção realmente entram na dança. Pessoas que querem fazer da vida um palco ou uma tela se sentem convidados a impressionar ... o resto de nós? (Quando é que os intermináveis números de jovens dizendo que foram chamados para o “ministério de louvor” vão acabar?) Distrações são a norma, e o pobre cara que só fica lá sentado é bombardeado com culpa e constantes admoestações para “se libertar” e “gritar/bater palmas/pular/bater os pés/uivar/dançar para o Senhor”.

O culto litúrgico diz que, se não podemos fazer juntos, provavelmente não vamos fazer. Simples assim. É claro, algumas pessoas se ajoelham e outras não. Alguns cantam mais alto que os outros. Sempre haverá meios para a natureza humana escapar, mas a idéia é cultuar como uma congregação, e a liberdade para adorar a Deus vem junto com a liberdade que ganhamos ao pôr rédeas no ego e na exigência de sermos reconhecíveis pela cultura.

Serei direto: algumas igrejas transformaram o culto em um caos vergonhoso, que não tem nenhuma semelhança com o mandamento de “ordem e decência” do Apóstolo. Nós somos seres humanos caídos. Quando se remove qualquer restrição e se nos manda sermos “livres em Deus”, não se assuste se você começar a ter por aí gente correndo, fingindo de bêbados ou sabe Deus o que mais. Sim, essa é a projeção mais pessimista, mas está se tornando verdade demais para ignorar.

Graças a Deus pela sanidade das igrejas litúrgicas.

Na verdade, eu talvez seja ainda mais grato porque a liturgia não sente a necessidade de impressionar o mundo ao ser igual a ele. É a coisa mais não-contemporânea, não voltada-ao-público de que eu tenho notícia na igreja. É o próprio jeito da igreja de ouvir e falar, e até agora o mundo tem tido bem pouco sucesso em transformar a liturgia em um produto comercial para o espírito desta era. Isto não quer dizer que alguns liberais e inovadores não tenham caído na tentação e violentado a tradição do Livro de Oração Comum em nome de alguma coisa moderna. Mas vá a qualquer igreja litúrgica – em qualquer lugar – e maravilhe-se em como muito do cristianismo sobreviveu até mesmo ao massacre promovido pelos blasfemadores.

Eu amo o fato de que muito do que é dito afora o sermão, é preparado de antemão. Em outras palavras, eu amo o fato de não ter de ouvir o irmão Zé ficar falando sobre o que Deus colocou no coração dele ESTA SEMANA!!

Uma vez eu tive uma longa conversa com um atencioso jovem que não conseguia – absolutamente, não conseguia – entender minha preferência por um culto litúrgico. Eu lhe perguntei se ele nunca se cansou de ouvir pregadores falando. Só falando, sem parar, pra dar a hora. Especialmente, se ele não enjoava das piadinhas e comentários fofinhos e dos apartes desnecessários. Se ele às vezes não desejava poder simplesmente ir à igreja e ouvir a Bíblia, boas palavras de encorajamento, orações curtas e objetivas e um mínimo de papo alegrinho? Ele admitiu que eu estava certo, mas que não importa o quanto o pregador imitasse o Jay Leno, ele não seria convencido a ir a um lugar onde o culto é lido.

Eu entendo que ele se sinta assim, mas uma vez que você esteja dentro de uma boa igreja litúrgica que trabalha para que cada culto tenha seu significado, a impressão de estar seguindo um roteiro dá lugar a um verdadeiro apreço por CADA PALAVRA que é dita no culto. O valor dado a cada frase e a cada oração curta ou responso é um dos mais ricos tesouros da liturgia. As palavras não deveriam ser atiradas em nós como se não importassem, e não deveriam ser usadas para manipular do mesmo jeito que o mundo as usa para vender e corromper.

O evangelicalismo se tornou um culto das celebridades. Os pastores que lideram o movimento são superstars, até mesmo figuras de adoração e quase-culto. A maior parte dos cultos evangélicos encoraja essa imitação do mundo do entretenimento. Músicos, pregadores, líderes de louvor, todos seguem as deixas de estilo, roupa e até jeito de falar, da idolatria do entretenimento da nossa cultura. O culto litúrgico não encoraja isso, e na verdade trabalha contra isso ao restringir o papel do ministro na liturgia. O ministro é o servo da Palavra. Ele é ordenado para o ministério da Palavra e dos Sacramentos, e sua personalidade deve se tornar sua serva, de modo que a Palavra seja ouvida e vista.

O que quer que saia da boca de um pregador, são as palavras de um homem. Um homem caído como eu. Eu sei que a liturgia também são as palavras de homens caídos, mas há algo na liturgia comunitária de um culto high-church que mostra o que pode acontecer quando a personalidade é submetida a palavras selecionadas precisamente para dar glória a Deus e não ao homem. A liturgia foi “purificada”, como poucas criações humanas o foram, para trazer as palavras dos homens à sujeição da Santa Palavra de Deus. Eu gosto do resultado, e creio que ele me tem feito bem.

Eu amo um monte de outras coisas. Eu amo o emprego da arte e da arquitetura para glorificar a Deus. Eu amo os hinos. Eu amo o senso de História. Eu amo a humildade no coração da liturgia. Eu amo o constante retorno à linguagem da Bíblia. Eu amo as vozes do povo através das eras se tornando as vozes dos participantes da minha igrejinha. Eu amo a centralidade dos Sacramentos, especialmente daquela esquecida celebração em torno da Mesa do Senhor. Eu amo a mensagem teologicamente dirigida do culto litúrgico, onde Deus importa mais do que a audiência.

O que há para não se amar?

O culto litúrgico pode ser uma coisa muito ruim, os críticos dizem. Ele pode ser vazio, congelado, repetitivo, insincero e elitista. Ele certamente pode subir à cabeça de alguns tipos de pessoas. Como qualquer expressão de culto humano, o uso do ritual pode dar margem a que nossa condição caída transforme as palavra que se diz sobre Deus em mero ruído de fundo para as divagações da mente humana. Ele exige muito mais do que os outros tipos de culto, e você precisa praticar bastante para se tornar bom nele. Ele não é amistoso para os preguiçosos ou os que se entediam facilmente.

Ainda assim, me parece que a resposta para a “mortidão” no culto não é a simples inovação. Não é rejeitar a liturgia, que nos traz para a tradição cristã nas palavras da própria Bíblia. Os julgamentos da liturgia feitos pelos consumidores do culto moderno não são confiáveis. Ela vai sobreviver e, se nós a valorizarmos, ela irá florescer agora e no futuro. Ela irá durar mais do que as pesquisas e enquetes de mercado, porque ela já durou mais do que todas as modas e tendências que teve de enfrentar, e ainda hoje continua a servir a Igreja.

Reviver a liturgia, trazer novas expressões de culto às formas antigas, nova música, novas abordagens para o culto congregacional, todas estas são tarefas importantes para aqueles de nós que valorizam a liturgia, e crêem que ela deve se fortalecer e sobreviver a estes tempos para uma vez mais testemunhar de Cristo, quando as inovações da era das mega-igrejas emergentes se tornarem as modas abandonadas do passado.

Webber crê que as gerações que vêm após os boomers serão mais abertas à liturgia do que seus pais, porque eles estarão esgotados com as cínicas tentativas de fisgá-los com luzes e gelo seco. A linguagem da liturgia tem um potencial muito rico para alcançar aqueles que estão cansados de televisão e Powerpoint e procuram por simbolismo e substância para se unir a algo rico e verdadeiro. Mesmo igrejas pentecostais/carismáticas têm mostrado uma abertura para rever seu próprio culto e reabrir o diálogo com suas litúrgicas e clássicas raízes cristãs. Há uma exaustão no pessoal do culto moderno, e a liturgia é o oásis que muitos irão encontrar para sua sequidão e cansaço.

Eu me alegro por ter-me encontrado no culto litúrgico e em uma apreciação pela mais ampla tradição cristã. Espero que os anos que me restam me dêem oportunidades para compartilhar dessa verdadeira renovação do culto bíblico com muitos dos meus amigos evangélicos. Este é um tesouro que vale a pena encontrar e passar adiante, pois a cada nova geração que descobre o culto da igreja antiga, o próprio tesouro da tradição cristã se torna mais rico.

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* Michael Spencer foi pastor batista, fundador e editor do blog Internet Monk. Ele faleceu no dia 05 de abril de 2010, após anos de luta contra um câncer. Ele é o autor de Mere Churchianity, que será publicado postumamente em 15 de julho de 2010. A Sociedade pela Liturgia Reformada transmite seus pêsames aos amigos e familiares, e agradece a pronta disponibilidade dos demais editores do Internet Monk em autorizar esta tradução e publicação.

Esse texto em seu contexto original:
http://liturgiareformada.blogspot.com/2010/04/doutor-strangeliturgy.html

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

REVELAÇÕES SOBRE O PAPAI NOEL


Existem aproximadamente dois bilhões de crianças no mundo. Porém, como Papai Noel não visita criança das religiões muçulmana, Hindu, Judaica e Budista, isso reduz o trabalho na noite de Natal para 15% do total, ou 378 milhões de pessoas. A uma taxa média de 3,5 crianças por lar, tem-se um total de 108 milhões de lares, considerando que haja pelo menos uma criança boazinha em cada lar.

Papai Noel tem cerca de 31 horas de Natal para trabalhar, graças à diferença de fuso-horário e à rotação da Terra, considerando que ele v iaje de leste para oeste (o que parece lógico). Isso resultaria em 967,7 visitas por segundo, e significa que, para cada casa cristã com uma criança boazinha, Papai Noel tem cerca de milésimo de segundo para estacionar o trenó, saltar, pular na chaminé, encher as meias, distribuir os presentes restantes sob a árvore, comer algum lanche que tenha sido deixado para ele, subir de volta pela chaminé, entrar no trenó e ir até a próxima casa.

Considerando que cada uma das 108 milhões de paradas esteja distribuída uniformemente pelo mundo (o que, naturalmente, sabemos ser falso, mas será aceito para fins de cálculo), estamos falando agora de ap roximadamente 1,25km entre casas – uma viagem total de 121,5 milhões de km, sem contar idas ao banheiro e descansos. Isso significa que o trenó do Papai Noel move-se a uma velocidade de 1.046 km/s – 3.000 vezes a velocidade do som! Para fins de comparação, o veículo mais veloz já construído pelo homem, a sonda espacial Ulisses, move-se a acanhados 44,1 km/s, e uma rena normal pode correr a 24 km/h (no máximo).

A carga útil do trenó representa um outro elemento interessante. Considerando que cada criança não receba nada mais que um Lego médio (907g), o trenó levaria mais de 500 mil toneladas , sem contar o peso do "bom velhinho". Em terra, uma rena normal não puxa mais que 136 kg. Mesmo admitindo que renas "voadoras" pudessem puxar dez vezes o normal, o serviço não poderia ser feito com oito ou nove delas – Papai Noel precisaria de 360.000 renas. Isso aumentaria a carga, sem contar o peso do trenó, mais 54 mil toneladas, ou aproximadamente sete vezes o peso do navio Queen Elizabeth.

Imaginem só, 500 mil toneladas viajando a 1.046km/s cria uma enorme resistência do ar isso aqueceria as renas da mesma maneira que uma nave espacial na reentrada terrestre. O primeiro par de renas absorveria (14,3×10 elevado a 19) joules de energia por segundo. Em resumo, elas explodiriam em chamas quase que instantaneamente, explodindo as renas atrás delas e criando estrondos sônicos ensurdecedores em seu rastro. Todo o conjunto de renas seria vaporizado em 4,26 milésimos de segundo, ou quase quando Papai Noel atingisse a quinta casa em sua viagem. Porém, nada disso importa, pois o Papai Noel, com a aceleração resultante de uma parada brusca a partir de 1.046 km/s em 0,001 segundo, estaria sujeito a uma força de 17.000 Gs.

Um Papai Noel de 113 kg seria imobilizado no fundo do trenó por 1.957.258 kgf o que esmagaria instantaneamente os seu s ossos e órgãos, reduzindo-o a uma bolha trêmula de meleca pegajosa quase cor-de-rosa.

Conclusão: Se Papai Noel existiu algum dia, ele já está morto.


Nota do editor: Desculpem-me a franqueza, mas um dia vocês teriam que ficar sabendo disso.

O fato de citar as palavras de alguém não necessariamente significa que tenho a MÍNIMA identificação com seu autor em áreas outras que o principal assunto da citação.

(Texto recebido por e-mail)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A HISTÓRIA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS QUE AS ASSEMBLEIAS DE DEUS NÃO CONTAM


A ORIGEM DA ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL

Em 19 de Novembro de 1910 chegaram ao Brasil dois pastores. O primeiro era Gunnar Vingren, um ex-pastor batista que fora excluído do ministério pela Igreja Batista de Michigan. O segundo era Daniel Berg que também fora excluído da comunhão batista. Depois de receberem os dons de William Seimor, e para atender a um sonho de um irmão chamado Adolf Uldin, vieram para o Brasil. Chegando em Belém de Pará se apresentaram a Eurico Nelson, um missionário batista no Amazonas. Identificando-se como batistas, ofereceram-se para ajudar no trabalho e pediram hospedagem. Como não tinham carta de recomendação, e nem podia ter pois eram excluídos, o missionário deixou-os usar o porão da igreja como casa.

Logo depois Eurico Nelson precisou viajar para o sul. Essa viagem deu oportunidade para que os dois recém chegados pedissem ingresso na igreja, declarando-se membros de uma igreja nos Estados Unidos. Vingren declarou sua condição de pastor e a igreja recebeu-os com alegria. Como não sabiam falar português e nem os membros inglês - com exceção de um - tudo ficou muito fácil. Nota-se uma certa desonestidade em como eles conseguiram a entrada na igreja. Primeiro que não falaram que eram membros excluídos. Depois porque não esperaram a volta do pastor titular que, naquele tempo, tinha que fazer a viagem de Belém de Pará ao Sul de Navio, e levaria meses para voltar.

Os dois foram mais desonestos ainda quando começaram a fazer cultos no porão da igreja. Só alguns membros eram convidados e as reuniões começavam após o término dos cultos regulares da igreja. Nessas reuniões havia estranhas línguas e estranhos ruídos. Alguns membros da igreja começaram a adotar as idéias dos falsos irmãos. Aumentando o número e chegando ao ponto de haver manifestações pentecostais numa reunião de oração da igreja, o evangelista Raimundo Nobre convocou, com o apoio da maioria dos diáconos, uma sessão extraordinária, e os adeptos de Vingren e Berg foram excluídos. Ao todo foram treze pessoas excluídas. (dezenove segundo o MP 06-96). No meio deles estava o moderador da Igreja, substituto direto de Eurico Nelson, José Plácito da Costa, homem culto e o provável tradutor das mensagens pentecostais nas reuniões do porão. A igreja contava com 170 membros, assim, é estranho que o historiador pentecostal, Emilio Conde, diga que a minoria excluiu a maioria.

Vingren e Berg não pararam por aí. Continuaram a fazer o trabalho de proselitismo dentro das igrejas batistas. Percorreram o Brasil inteiro na busca de novas renovações. Pode-se dizer que em muitos casos foram bem sucedidos. O próprio Vingren afirma em seu diário que: "Por onde íamos, buscávamos nas igrejas e nas casas dos batistas infundirem o novo batismo". Este novo batismo constituía de doar aos crentes já convertidos o dom de línguas.
Nisso Vingren também entra em contradição na questão dos dons de língua. Ele considerava-se o doador do dons de línguas a muitos crentes. Pois bem. Na página 34 de seu diário ele relata: "Agora com esforço começamos a estudar a língua, e durante esse tempo participamos dos cultos da igreja Batista. Por não termos dinheiro para pagar as aulas, Daniel teve de conseguir um emprego na fundição. Ali ele trabalhava de dia, enquanto eu estudava o idioma. Depois eu lhe ensinava de noite o que aprendera de dia. Assim, com esforço aprendemos o português." Esse foi o mesmo erro de Fancescon. Que dom era esse que não foi usado para o fim que a Bíblia deixou, pois, em Atos 2, diz que as línguas faladas pelos apóstolos coincidia com a necessidade de cada ouvinte; Romano ouvia em Latim. Grego em grego. E nenhum dos apóstolos tiveram que entrar na escola para aprender idioma nenhum. Em 1911 os dois fundaram a Missão de Fé Apostólica que posteriormente mudou-se de nome para Assembléia de Deus. Cresceram muito após a década de 50 e são hoje o maior grupo de pentecostais no Brasil chegando a mais de três milhões de adeptos.


Fonte: http://www.palavraprudente.com.br/estudos/gilberto_s/historiaigreja/cap12.html

DENÚNCIA


Abaixo-assinado Somos contra o maior escândalo deste País, o KIT GAY

Para:Presidente da República Federativa do Brasil; Congresso Nacional do Brasil; Supremo Tribunal Federal; Assembléias Legislativas

Somos contra o maior escândalo deste País, o KIT GAY
Não aceitamos que nossas crianças de 7,8,9 e 10 anos recebam esse tal de KIT GAY.
Neste Kit Gay há 2 vídeos com o Titulo Contra homofobia, mas na verdade nesses vídeos contém mensagens subliminares para as nossas crianças, induzindo-as a homossexualidade.
Uma coisa é preconceito...Outra coisa é fazer apologia ao homossexualismo!!!


Neste Kit Gay, na verdade, é um estímulo ao homossexualismo e incentivo a promiscuidade e a confusão de discernimento da criança sobre o conceito de família.

Na primeira das histórias homossexuais do Kit Gay, segundo o Jornal da Câmara dos Deputados, mostra-se um garoto chamado Ricardo, de 14 anos que, certa hora, vai ao banheiro urinar e encontra um colega seu. Enquanto ele urina, Ricardo dá uma olhada para o lado e vê o pênis de seu amigo e se apaixona pelo garoto. Ao retornar para a sala de aula, a professora da classe chama o menino pelo seu nome (Ricardo), onde o mesmo cerra seus lábios, pois não quer ser chamado de Ricardo, e diz que quer ser chamado de "Bianca".
Na outra história do Kit Gay, o comportamento de duas meninas lésbicas de aproximadamente 13 anos de idade é posto como exemplar para as outras, e a comissão ainda discutiu a profundidade que a língua de uma menina deve entrar na boca da outra ao realizar o beijo lésbico para os vídeos(Kit Gay), que já estão em fase de licitação para começarem a serem distribuídos em todos a escolas estaduais e municipais do PAÍS.
Uma coisa é preconceito, outra coisa é APOLOGIA AO HOMOSSEXUALISMO!!!

Façam valer imediatamente nossos valores contra essa imposição que querem colocar para as nossas crianças.

Essa comissão de Direitos Humanos e Minorias que nós colocar o escárnio da sociedade. Eles querem aliciar nossas crianças com esse KIT GAY.


Os signatários

O Abaixo-assinado Somos contra o maior escândalo deste País, o KIT GAY, para Presidente da República Federativa do Brasil; Congresso Nacional do Brasil; Supremo Tribunal Federal; Assembléias Legislativas foi criada e escrita pela comunidade Revoltados ON LINE.
Este abaixo-assinado encontra-se alojado na internet no site Petição Publica Brasil que disponibiliza um serviço público gratuito para abaixo-assinados (petições públicas) online.
Caso tenha alguma questão para o autor do abaixo-assinado poderá enviar através desta página de contato


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O fato de citar as palavras de alguém não necessariamente significa que tenho a MÍNIMA identificação com seu autor em áreas outras que o principal assunto da citação.

Esse artigo em seu contexto original :
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=PROL

QUANDO A ASSEMBLÉIA ERA DE DEUS


Por Nelson Gervoni

Sou de família assembleiana, quando nasci meus pais eram da Madureira, tenho dois primos e um tio pastores no Ministério do Belém, um segundo tio é pastor de Madureira, meu sogro é presbítero e dirigiu diversas congregações da Assembléia, minha esposa nasceu e foi criada nesta igreja e atualmente me vejo pastor ligado à CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus) através do Belém. Meu espírito livre me levou a sair da Assembléia de Deus ainda jovem, fiz minha formação teológica num Instituto Batista e por último pastoreei uma igreja anabatista de origem alemã. Por algumas razões há três anos retornei à Casa onde nasci. Não demorou muito e percebi que a igreja à qual retornara não era mais aquela de onde saíra. Senti-me como alguém que deixa a pátria onde nasceu e ao retornar se sente como um estrangeiro da terra natal. As diferenças eram tantas que me lembrei de uma frase inúmeras vezes repetida por meu avô materno (nascido em 1901 e convertido ainda jovem na Assembléia de Deus da Missão). Quando via algum absurdo da parte da liderança da igreja, o velho dizia: “Quando a Assembléia era de Deus, isso não acontecia”. E acrescentava, dizendo: “os homens se juntaram e tomaram de Deus a Assembléia de Deus, que agora é dos homens...” Por ser criança não compreendia ao certo o que o levava meu avô a afirmar isso. Entretanto, esses três anos de Assembléia de Deus me levaram a uma compreensão empática do velho. Ou seja, não somente compreendo, mas sinto o que ele sentia. Havia na expressão do meu avô uma vanguarda profética. Hoje, não chego a afirmar que a Assembléia não é de Deus, pois ainda há nela um povo caminhante que, não obstante sua liderança, serve a Deus com sinceridade e aguarda a volta do seu Redentor. Mas talvez esta seja uma das poucas características que ainda lhe assegure o nome que tem. A Assembléia não é dos homens. É de Deus. Mas não há dúvida de que os homens – suas lideranças – estão tratando-a como os sacerdotes dos tempos proféticos tratavam a Casa de Deus. Se não, vejamos. Centralização do poder econômico A Assembléia de Deus perdeu sua característica de comunidade simples e é uma das igrejas mais ricas do Brasil. Isso a torna semelhante ao Clero Romano que tanto criticamos por sua centralização de poder. Se parece com o sacerdócio do Antigo Testamento tão criticado pelos profetas de então. Em nível nacional sua riqueza se concentra principalmente na CGADB – que tem como uma das principais fontes financeiras a CPAD (Casa Publicadora das Assembléias de Deus), cuja arrecadação se assemelha a de grandes editoras, como por exemplo, a Abril – e no Ministério do Belém, hegemônico entre os demais ministérios ligados à Convenção. Estrategicamente esse império, formado principalmente pela CGADB e Belém, se concentra nas mãos de pouquíssimas pessoas, lideradas pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, na presidência simultânea das duas entidades há mais de duas décadas. Em níveis regionais o poder econômico é distribuído favorecendo os mesmos presidentes de Campo que em nível nacional apóiam e se locupletam com José Wellington. A gestão dos Campos reproduz a administração regional, com centralização de poder e de dinheiro. É canalizada para a Sede do Campo toda a renda das congregações que em virtude disso perdem a autonomia para realizações descentralizadas. Para citar só um exemplo, a Congregação onde ajudei ultimamente necessita de manutenção das suas dependências, de infra-estrutura para a Escola Dominical das crianças e de instrumentos musicais. Tem uma arrecadação mensal estimada entre R$ 5 mil e R$ 8 mil (digo estimada, pois não se tem acesso à informação da sua arrecadação), mas como deve encaminhar integralmente seus ingressos à Sede, não pode atender suas necessidades locais. Com isso, os departamentos fazem malabarismo para arrecadarem algum dinheiro. Por exemplo, o Círculo de Oração (departamento feminino) faz pizzas e nhoque e vende para os membros, que já contribuem com seus dízimos e ofertas. Hereditariedade do poder Outro fenômeno que vem se reproduzindo nas últimas décadas, em especial nas AD do Estado de São Paulo, é a hereditariedade de poder nas esferas regionais. É comum pastores presidentes de Campo prepararem seus filhos para os sucederem ministerialmente. Por exemplo, no Campo de Presidente Prudente/SP o pastor presidente atual é João Carlos Padilha, filho do ex-pastor presidente Carlos Padilha. No Campo de Indaiatuba/SP o pastor presidente é Raimundo Soares de Lima que tem como vice-presidente e sucessor estatutário o próprio filho, pastor Rubeneuton de Lima, mais conhecido como Newton Lima. No Campo de Araçatuba o presidente é o pastor Emanuel Barbosa Martins e o vice-presidente é seu filho, Emanuel Barbosa Martins Filho. No Campo de Limeira o ex-presidente, pastor Joel Amâncio de Souza, fez como seu sucessor o próprio filho, pastor Levy Ferreira de Souza. Medida que foi pivô de considerável divisão na igreja. Há uma grande possibilidade da hereditariedade de poder se aplicar em nível nacional, pois é de conhecimento dos pastores da CGADB que o pastor José Wellington prepara sua sucessão para um dos filhos, José Wellington Costa Junior, vice-presidente da AD em São Paulo, Ministério do Belém e presidente do Conselho Administrativo da CPAD. Cabe uma pergunta em relação a isso: É Deus ou o homem quem escolhe o sucessor da presidência da igreja? Penso que a possibilidade de Deus escolher tantos filhos de presidentes como seus sucessores está descartada. As igrejas do Novo Testamento não eram assim. As congregações escolhiam seus oficiais (Atos 6.1-6, 14.23) e não tinham um pastor presidente que dominava sobre elas. Sem transparência financeira Outra coisa que me intrigou ao retornar para a Assembléia de Deus foi descobrir que não é dado saber – senão a duas ou três pessoas da diretoria da Sede – nada sobre a movimentação financeira do Campo. Estima-se que num Campo como o de Campinas, por exemplo, a receita gire em torno R$ 1,5 milhão por mês. Não se sabe ao certo quanto entra e como é gasto o dinheiro; quanto ganha por mês o pastor presidente, pastores regionais e distritais. Recentemente ouvi de uma liderança leiga que o custo de manutenção do pastor presidente, no caso do Campo de Campinas, beira os R$ 60 mil mensais. Sabe-se, no entanto que as congregações das periferias são pastoreadas por homens simples, que mal recebem ajuda de custo. Assim, muitos têm seus empregos para se sustentarem e os que não conseguem se empregar chegam a passar por privações e apuros financeiros. A explicação para a ocultação orçamentária é a segurança. Afirmam que não divulgam suas contas para evitarem assaltos. Isso não é verdadeiro, pois qualquer assaltante bem informado sabe que igrejas movimentam rios de dinheiro. E uma coisa é divulgar aos quatro cantos o quanto a igreja arrecada, expondo-a a riscos de roubos, outra coisa é manter seus membros informados do total coletivo das suas contribuições. Afinal, igreja não é empresa privada, que somente o dono tem acesso às suas informações financeiras. Do ponto de vista legal as igrejas são associações civis regidas pelo Código Civil e como tais, segundo a legislação, devem prestar contas de sua movimentação financeira aos associados, que no caso da igreja são os seus membros. Por exemplo, o Artigo 59, Inciso III do Código Civil diz que “Compete privativamente à assembléia geral (...) aprovar as contas” da instituição. Como poderão aprovar (ou reprovar) as contas sobre a qual pouco ou nada se sabe? Ou como aprovarão se sequer participam das assembléias, em cuja pauta não se coloca em votação a aprovação financeira? Do ponto de vista bíblico não há nada que se pareça com isso. Não há no Novo Testamento uma associação de igrejas com um presidente arrecadando os ingressos das congregações para administrá-los centralizadamente, se beneficiando de altos salários. Entretanto, a falta de transparência financeira não é um “privilégio” exclusivo das igrejas e dos Campos. Recentemente o pastor Antonio Silva Santana, eleito em 2009 primeiro tesoureiro da GADB, renunciou alegando falta de acesso às principais informações de caráter fiscal e financeiro da instituição. Quando não se lança luz sobre uma questão tão importante como esta, obscurece-se a verdade, dando margens a dúvidas. Por exemplo, pode-se perguntar se o dízimo dos contribuintes não foi usado nas últimas eleições para financiar campanhas políticas de pastores candidatos a cargos eletivos. Esse questionamento nos leva ao próximo assunto. Vínculo com a política partidária Não é preciso fazer nenhum esforço mental para perceber que estas características (centralização do poder econômico, hereditariedade do poder e falta de transparência financeira) são próprias das instituições contaminadas pelo abuso de poder, pela ganância, pelo nepotismo, etc. Trata-se de um quadro muito comum nas esferas da política partidária. Assim sendo, como “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7), era de se esperar que a Assembléia de Deus refizesse (pelo menos tenta refazer), através de sua atuação político-partidária, o casamento entre a Igreja e o Estado, união responsável pelo apodrecimento da fé e cujo divórcio custou o sangue de mártires na História do Cristianismo. Há atualmente em algumas igrejas a idéia de que “o povo de Deus precisa de representantes na política”. Particularmente tenho uma opinião desenvolvida sobre isso, exposta em recente artigo que escrevi, “Por que não voto em ‘irmão de igreja’”, publicado em meu blog pessoal. Mas, opinião individual a parte, o que mais assusta é o pragmatismo com o qual essa questão vem sendo tratada nas Assembléias de Deus ligadas à CGADB. A 33ª assembléia geral ordinária da CGADB, realizada em Belo Horizonte em 1997 – e portanto presidida pelo pastor José Wellington – aprovou uma resolução que recomenda aos pastores titulares não se candidatarem a cargos eletivos. Para se candidatar deve o ministro se desvincular de seu cargo pastoral. A resolução é sábia, pois visa, entre outras coisas, poupar a igreja de envolvimento com escândalos políticos que nela respingam, como ocorridos em episódios conhecidos. Entretanto, não obstante a resolução, recentemente o pastor José Wellington esteve em Campinas e, numa reunião com pastores num hotel, pediu a estes o apoio à candidatura a deputado federal de seu filho Paulo Roberto Freire da Costa – presidente do Campo de Campinas – sem sequer tocar no assunto da desvinculação proposta na resolução que ambos ajudaram a aprovar. Paulo Freire foi eleito e continua presidente da Assembléia Campinas, como se a resolução não existisse. Ironicamente, a igreja de Campinas foi envolvida num escândalo político quando pastoreada por Marinésio Soares da Silva, antecessor de Paulo Freire. O escândalo foi protagonizado por uma filha Marinésio, na ocasião deputada federal, tendo causado muitos sofrimentos à igreja. O equivoco de se misturar poder político e igreja foi esclarecido por Cristo numa conversa com seus discípulos, narrada em Marcos 10. Tiago e João reivindicaram o direito de assentar-se com Jesus, um à direita e outro à esquerda do seu trono. Eles não haviam compreendido que o reino de Cristo não se daria na dimensão da política terrena. Para esclarecê-los Jesus lhes disse: “Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Marcos 10.42-44, com grifo do autor). A fala de Cristo (grifada acima) sempre será atual. Alerta contra a centralização do poder econômico, a hereditariedade do poder, a falta de transparência financeira e outras mazelas. As instituições mundanas agem dessa forma, “Mas entre vós não é assim”. O fenômeno da naturalização Chama a atenção em todo esse processo o fenômeno da naturalização. Ou seja, todas essas características são vistas e vividas como muito naturais, pela liderança e pela chamada “membresia”. A centralização e a hereditariedade do poder, a falta de comunicação e clareza sobre as contas e o relacionamento – fisiológico, inclusive – com a política, são encarados como algo muito normal e, portanto, sem a necessidade de qualquer questionamento. Todas essas peculiaridades geralmente são justificadas pela “unção” recebida pelo “homem de Deus”, inclusive com uma equivocada interpretação do texto bíblico que diz “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal” (1 Crônicas 16.22 e Salmo 105.15). Assim, um “ungido” centraliza o poder e designa-o a quem bem entende – geralmente aos filhos – e os demais ungidos e profetas aceitam sem nada dizer. Da mesma forma, se ele é um “ungido de Deus”, tem autonomia, à custa da heteronomia dos demais, para administrar as finanças da igreja sem delas ter que prestar contas. Por outro lado, os membros se isentam da responsabilidade de fiscalizar, pois acreditam que seu papel é apenas trazer os dízimos (Malaquias 3.10) sem se preocupar com o que será feito dele. As semelhanças desse modelo com a política fisiológica, voltada para projetos pessoais, são muitas. Isso explica o casamento da igreja com a política partidária. Será que não estamos diante da síndrome de Eli?

(Texto recebido por e-mail)

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Nelson Gervoni é pastor da Assembléia de Deus filiado à CGADB, é Coordenador de Projetos Educacionais do Instituto Souza Campos – Pólo Educacional da Universidade Luterana do Brasil em Campinas, SP e integrante do GEPEM da Faculdade de Educação da Unicamp

http://www.pulpitocristao.com/2010/12/quando-assembleia-era-de-deus.html

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CITAÇÃO DE LUTERO


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